quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Prática Espírita

Amnésia Espiritual  

por Fernando A. Palermo Falleiros

     É constante verificar-se em nossas reuniões que muitos espíritos comunicantes não se lembram de tudo o que lhes ocorreu, nem no tempo que abrangeu a sua vida física, nem mesmo no período que lhe precedeu a desencarnação. Fosse o contrário e as comunicações mediúnicas se apresentariam ricas de informações cuja fonte estaria na carga psíquica oriunda da maneira como encaram a duvidosa moralidade que presidiu a conduta do indivíduo.
     Mantivessem lembranças, ao menos das circunstâncias que lhes precederam a morte, como causa das próprias aflições, particularidades poderiam facilitar-lhes o entendimento das razões que os trazem ao nível de energias encarnadas a busca de soluções confortadoras.
     No livro "Mediunidade, desafios e bênçãos", de Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco, trata o autor espiritual da questão da amnésia, que toma conta dos espíritos desencarnados. Esse problema, que se mostra tão corriqueiro em nossas reuniões, decorre de vários fatores. Sabemos que não existe um desencarne igual a outro, portanto, o despertar do indivíduo na dimensão do espírito igualmente não se dá da mesma forma. Na grande maioria dos casos, existe uma maior perturbação, excetuando-se aqueles que já atingiram um patamar evolutivo maior, porquanto, beneficiários da própria conquista. Perturbações são comuns e se processam basicamente em função do estilo de vida material que o espírito tenha levado, originando-lhe carga psíquica de sofrido teor.
     O estado psicológico perante as provas, os suicídios de variada expressão, mortes violentas, comprazimento nas viciações terrenas, avarezas, despotismo, crueldade, orgulho, egoísmo, desvario sexual, etc, são comportamentos que geram situações  que podem enlouquecer, hebetando* a mente do indivíduo por período considerável.
     Aqueles outros que vivem de acordo com os elevados princípios morais, cultivando o bem, pautando-se pelos ensinamentos do Evangelho, abandonam o casulo com alegria e são imediatamente amparados e atraídos para as regiões felizes.
     O despertar tranquilo e feliz no mundo espiritual, portanto, depende da harmonia da consciência com os princípios das leis que regem a vida.
     É necessário que o ser lúcido realize sincera avaliação dos clichês mentais que lhe povoam o mundo íntimo, selecionando-os segundo o desejo de paz no despertamento espiritual.
     Por oportuno, chamamos a atenção para, em terapia de encarnados, a necessidade de preservar-se o espírito, procurando, em primeiro momento, orientá-lo quanto às condições que lhe impõem sofrimento, transmitir-lhe calma e confiança em Deus, para que, aos poucos, sinta-se tranquilo e seguro, sem poupar-lhe, todavia, a informação de que todo sofrimento tem causa anterior a requerer-nos esforço remissivo.

*hebetando - confundindo; obscurecendo.
Texto extraído do jornal "A Nova Era".
Responsabilidade Editorial: Idefran - Instituto de Divulgação Espírita de Franca.
Número 2107 - outubro 2014 - Ano 86
    

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