quarta-feira, 18 de março de 2015

Prática Espírita

Os Chacras e os Prazeres
por Fernando A. Palermo Falleiros
 
Já falamos neste espaço sobre chacras e suas funções e, desta feita, abordaremos o que se convencionou chamar se segundo chacra. Quando equilibrado, tem ele a função de processar os prazeres, desde aqueles de ordem fisiológica e sensual, gerados pelo instinto de sobrevivência, como o sexo e a alimentação, até o prazer de viver e de se afirmar no mundo.
Guarda intensa relação com o primeiro chacra na atividade contributiva para a manutenção de vida, consubstanciada, principalmente, no prazer que o sexo e a alimentação proporcionam.
Se Deus não tivesse colocado o prazer nas funções vitais, não se nasceria para a vida, e, se se nascesse, morreria de inanição.
Do mesmo modo, existe o prazer psicológico de se afirmar no mundo, de ser capaz, de ser útil de realizar-se na cooperação com a obra divina, podendo contribuir para um mundo melhor, a começar pela qualificação do próprio mundo íntimo.
As pessoas que têm uma relação sagrada com os prazeres tornam-nos cada vez menos sensuais. Desenvolvem os prazeres essenciais, ligados à estesia, como o da convivência amiga, o de uma boa leitura, de um passeio junto à natureza, o de ser cocriador de soisas sublimes. Resultam da sublimação dos prazeres mundanos, sem, contudo, impedirem que gozem, de forma equilibrada, os prazeres de uma boa mesa ou de uma relação sexual saudável.
Quando esse chacra encontra-se congestionado na hiperatividade, temos o apego excessivo, em que o indivíduo abusa dos prazeres sensoriais, buscando-os a qualquer custo, por meio, por exemplo, da sexolatria, da glutonaria, prejudicando-se a si mesmo e aos que envolvem.
São pessoas extremamente voltadas para o ego, sem noção plena de que os prazeres sensoriais existem com a finalidade de manter o equilíbrio e a vida. Invertem os valores, negando espaço para os prazeres estésicos, vivendo, portanto, apenas para a matéria.
Quando inibidos pela hipoatividade, tais chacras proporcionam a aversão aos prazeres, proporcionando atitudes típicas de puritanismo. Normalmente, tal postura surge após estágio prolongado na busca do prazer pelo prazer, gerando sentimento de culpa, exacerbado pelos conceitos religiosos antinaturais, pois já teria o indivíduo verificado que o prazer tem sua origem na Sabedoria Divina, que o criou para a preservação da vida.
É preciso que se considere que o sentimento de culpa pode implicar estado psicológico em que a negação completa do prazer de viver, como se vê na depressão, cuja gradação mais profunda pode levar o indivíduo ao suicídio, contrariando o próprio instinto de sobrevivência.
O fato de abolir o prazer de sua vida não repara o equivoco, pois somente quando aprende a usá-lo de maneira equilibrada é que a pessoa alcança a vitória sobre si mesma.
 
Texto extraído do jornal "A Nova Era".
Realização e Editoria: Idefran - Instituto de Divulgação Espírita de Franca.
Número 2112- março  2015 - Ano 87

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