segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A água, o homem e o livre arbítrio

A água, o homem e o livre-arbítrio

O planeta das águas sofre uma forte ameaça de morrer de sede.
As autoridades a quem cabe providência, no sentido de resolver o grave problema, o tratam do ponto de vista técnico e político, sem que se permitam nortear-se por conceitos mais transcendentes, instrumentos que se prestariam a resolver também os demais flagelos e calamidades planetários.
Se nos orientarmos nos princípios explicitados pela Doutrina espírita, calcamo-nos em razões que transcendem as injunções meramente técnicas e políticas, obrigar-nos-emos a preocupações que, conquanto científicas, serão de fundo essencialmente moral. O meio ambiente terrestre ressente-se do desequilíbrio advindo da desarmonia entre a nossa conduta material e moral e os desígnios das leis naturais que nos regem a vida.
Os mundos superiores, onde há fraternidade e amor incondicionais, onde reinam a harmonia e a paz social, desconhecem as conturbações, mazelas e calamidades que nos são familiares.
A solução do problema da seca que nos ameaça como realidade presente, não está somente nos expedientes materiais da economia de água, mas também, e  sobretudo, na mudança imediata da maneira de nos conduzirmos nas relações sociais e espirituais. É a irmandade humana como testemunho da filiação divina a recomendar-nos relação fraterna e caridosa. É a aceitação e aplicação prática dos ensinamentos do Evangelho de Jesus, ou comprometeremos a satisfação das nossas necessidades.
Sem que nos libertemos da delituosa intenção de, a qualquer custo, satisfazer-nos a vaidade, o orgulho, o egoísmo, a ambição, paixões que nos afastam do caminho redentor, também nos libertaremos dos horrores que nos assaltam. É a hora de inocularmos no psiquismo, que se ocupa de compromissos ignóbeis, a certeza de que a Terra só se promoverá a Planeta de Regeneração quando, em nosso meio, prevalecer a psicosfera do bem.
A ação humana do desmatamento e comércio inescrupuloso de madeira, por exemplo, influi radicalmente na natureza da psicosfera global, impondo mudanças climáticas e atmosféricas violentamente danosas. Eis o caráter maldoso, ocupante obstinado do espaço que o bem retarda em assumir, ainda que diante da crescente preocupação com a escassez do líquido mais precioso e indispensável. É profundamente desconfortável a experiência de se viver às escuras, mas, é impossível a vida sem água.
Muitos louvam-se na abundância oceânica. A dessalinização da água ocorre quando passa do estado de vapor e se torna água doce, porque o vapor não volta a tornar-se água salgada, uma vez “recondensado”.  Mas, qualquer que seja o processo: destilação convencional, destilação artificial, eletrodiálise ou osmose reversa, ainda é impraticável, no sentido de atendimento à população de um país continental como é o Brasil, já que o processamento, bem como o transporte para atendimento da população interiorana requerem custo elevadíssimo.
Demais, somente a moralização da psicosfera do planeta, a par do seu urgente reflorestamento, poderia garantir o natural o natural ciclo das águas, segundo as estações próprias, de forma a atender-nos as necessidades do corpo (constituído de cerce de 70% do referido liquido), da higiene e da limpeza do ar, que teria a virtude de impedir  a proliferação de microorganismos causadores de doenças, bem assim propiciar a produção de alimentos isentos de artifícios que envenenem a humanidade ao invés de fazê-la saudável.
Urge procedamos ampla revisão na maneira como estamos  nos conduzindo, social e espiritualmente, e darmos a nossa contribuição individual e coletiva à transição regeneradora do planeta que habitamos, em atendimento respeitoso à advertência de Jesus, segundo a qual somente “Os justos herdarão o paraíso terrestre”.

Jornal “A Nova Era”
Número 2106 - setembro de 2014 - Ano LXXXVI
Editorial - Pag. 02
 

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