O planeta das águas sofre uma forte ameaça de morrer de sede.
As autoridades a quem cabe providência, no sentido de
resolver o grave problema, o tratam do ponto de vista técnico e político, sem
que se permitam nortear-se por conceitos mais transcendentes, instrumentos que
se prestariam a resolver também os demais flagelos e calamidades planetários.
Se nos orientarmos nos princípios explicitados pela Doutrina
espírita, calcamo-nos em razões que transcendem as injunções meramente técnicas
e políticas, obrigar-nos-emos a preocupações que, conquanto científicas, serão
de fundo essencialmente moral. O meio ambiente terrestre ressente-se do
desequilíbrio advindo da desarmonia entre a nossa conduta material e moral e os
desígnios das leis naturais que nos regem a vida.
Os mundos superiores, onde há fraternidade e amor
incondicionais, onde reinam a harmonia e a paz social, desconhecem as
conturbações, mazelas e calamidades que nos são familiares.
A solução do problema da seca que nos ameaça como realidade
presente, não está somente nos expedientes materiais da economia de água, mas
também, e sobretudo, na mudança imediata
da maneira de nos conduzirmos nas relações sociais e espirituais. É a irmandade
humana como testemunho da filiação divina a recomendar-nos relação fraterna e
caridosa. É a aceitação e aplicação prática dos ensinamentos do Evangelho de
Jesus, ou comprometeremos a satisfação das nossas necessidades.
Sem que nos libertemos da delituosa intenção de, a qualquer
custo, satisfazer-nos a vaidade, o orgulho, o egoísmo, a ambição, paixões que
nos afastam do caminho redentor, também nos libertaremos dos horrores que nos
assaltam. É a hora de inocularmos no psiquismo, que se ocupa de compromissos
ignóbeis, a certeza de que a Terra só se promoverá a Planeta de Regeneração
quando, em nosso meio, prevalecer a psicosfera do bem.
A ação humana do desmatamento e comércio inescrupuloso de
madeira, por exemplo, influi radicalmente na natureza da psicosfera global,
impondo mudanças climáticas e atmosféricas violentamente danosas. Eis o caráter
maldoso, ocupante obstinado do espaço que o bem retarda em assumir, ainda que
diante da crescente preocupação com a escassez do líquido mais precioso e
indispensável. É profundamente desconfortável a experiência de se viver às
escuras, mas, é impossível a vida sem água.
Muitos louvam-se na abundância oceânica. A dessalinização da
água ocorre quando passa do estado de vapor e se torna água doce, porque o
vapor não volta a tornar-se água salgada, uma vez “recondensado”. Mas, qualquer que seja o processo: destilação
convencional, destilação artificial, eletrodiálise ou osmose reversa, ainda é
impraticável, no sentido de atendimento à população de um país continental como
é o Brasil, já que o processamento, bem como o transporte para atendimento da
população interiorana requerem custo elevadíssimo.
Demais, somente a moralização da psicosfera do planeta, a par
do seu urgente reflorestamento, poderia garantir o natural o natural ciclo das
águas, segundo as estações próprias, de forma a atender-nos as necessidades do
corpo (constituído de cerce de 70% do referido liquido), da higiene e da
limpeza do ar, que teria a virtude de impedir
a proliferação de microorganismos causadores de doenças, bem assim
propiciar a produção de alimentos isentos de artifícios que envenenem a
humanidade ao invés de fazê-la saudável.
Urge procedamos ampla revisão na maneira como estamos nos conduzindo, social e espiritualmente, e
darmos a nossa contribuição individual e coletiva à transição regeneradora do
planeta que habitamos, em atendimento respeitoso à advertência de Jesus,
segundo a qual somente “Os justos herdarão o paraíso terrestre”.
Jornal “A Nova Era”
Número 2106 - setembro de 2014 - Ano LXXXVI
Editorial - Pag. 02

Nenhum comentário:
Postar um comentário